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ESCOLHA DO QUADRO IDEAL PARA TRIATLO

 

A escolha de uma bicicleta para triatlo é mais complexa do que possa parecer, isso porque a geometria varia muito de marca para marca. As geometrias para triatlo são definidas a partir dos “extensores” (aerobars) e da posição que o atleta ficará neles. Isso muda tudo, pois todo o posicionamento é alterado.
Segundo Dan Empfield, fundador da marca Quintana Roo, mais de 85% da aerodinâmica depende da posição do atleta na bicicleta. Assim, mais importante que um quadro aerodinâmico é um quadro que deixe o atleta  aerodinâmico.
 
Nas bicicletas de estrada, o projeto de geometria é criado para fazer com que o atleta se apóie somente na parte de trás, no selim. Já as bicicletas de triatlo precisam distribuir o peso do corpo entre a parte de trás e a parte da frente, já que o atleta estará com os cotovelos apoiados nos “extensores”.
Como se pode perceber,  as formas dos quadros de Triatlo e contra relógio variam muito. Para tentar resolver esse problema, Dan Empfield criou os conceitos de stack (altura) e reach (alcance), que permitem comparar qualquer bike.
A medida do reach é o alcance de um quadro, definido por uma linha imaginária horizontal que parte do eixo do movimento central (eixo pedaleiro), até cruzar com outra linha vertical imaginária que intercepta o eixo da parte superior do head tube (tubo de direção).
Já o conceito de stack é a altura do quadro, definida por uma linha vertical imaginária que sobe a partir do eixo do pedaleiro e interceta outra horizontal, também imaginária, que parte do eixo da parte superior do head tube.
A partir dessas medidas podemos entender melhor como funciona uma geometria para o triatlo.
Como os triatletas não têm as limitações de posicionamento impostas pela União Ciclística Internacional (UCI), a posição tende a ser o mais para a frente possível. Talvez o melhor exemplo seja a posição do selim. De acordo com as normas do UCI, a ponta do selim deve ficar, no mínimo 5cm atrás de uma linha vertical imaginária que sobe a partir do eixo do pedaleiro. Já no triatlo, essa situação não existe, então os atletas tendem a colocar o selim o mais a frente possível, pois fica mais fácil alcançar o aerobar; músculos importantes são economizados para a corrida.
Vamos imaginar um ciclista sentado na bike e com os braços nos extensores, com a ponta do selim em cima do eixo do pedaleiro. Se aumentarmos o reach ou reduzir a altura dos extensores  ele ficará mais aerodinâmico, pois ficará mais deitado na bike.
Em grande parte, escolher uma bike de triatlo envolve analisar com calma essas medidas de cada um dos modelos nos quais estamos interessados. Pessoas mais flexíveis e com troncos grandes, vão preferir bikes com maior reach e menor stack, já pessoas com troncos mais curtos (normalmente pessoas mais baixas) vão preferir bikes com reach um pouco menor.
No geral, podemos separar as bikes em dois grandes grupos: as longas e baixas e as altas e curtas. Claro que essa divisão não é  tão evidente com todas as bikes do mercado.
Uma medida ideal pode ser estabelecida com um bom BIKE FIT, antes da compra da bike. Muitos atletas descobrem que compraram a bike errada.
 
Podemos usar os parâmetros de stack e reach com os tipos de geometria e a nossa percepção da bike atual. Por exemplo, uma bike com diversos espaçadores abaixo do guiador. O que isso significa? Que o atleta precisa de uma bike mais alta (maior stack). Se o atleta sente que não tem problemas com o alcance (reach), pode migrar para uma bike que possui o mesmo reach, porém mais alta.
Atletas com menos de 1,60m devem reconsiderar bikes com rodas 700c e procurar por opções com rodas 650c (aro 26). Dada as limitações na construção dos quadros, é virtualmente impossível chegar a uma boa posição aerodinâmica com rodas 700c.
Quanto menor o quadro de uma bike de triatlo, maiores as limitações geométricas nas suas construções. Para os quadros tamanho S, a grande maioria com rodas 700c, o atleta deve estar atento às dimensões do quadro em termos de stack e reach para vários modelos da mesma marca. Por exemplo, a Cervélo P2 e a P4. Para o tamanho 51, o stack e o reach de ambas são idênticos. Ou seja, pagar centenas de euros a mais na P4 não vai melhorar a posição do atleta e não o vai tornar mais rápido. Isso acontece com diversos fabricantes, portanto é bom ter atenção, pois o dinheiro gasto com o quadro mais caro poderia ser destinado a algo mais útil, como umas boas rodas ou um capacete mais aerodinâmico. Claro que não estamos a falar do aspecto estético, pois a preocupação maior é o desempenho.

 

Fontes: mundotri/CAFPT

 

Não existe, nem nunca vai existir uma tabela que relacione altura do ciclista com tamanho do quadro, ou mesmo altura do cavalo (entre pernas) com o tamanho do quando. Embora isso tenha sido divulgado a anos como regra e parâmetro, esse argumento não possui nenhum fundamento. Uma tabela dessas é semelhante a uma tabela que relacione altura do individuo com o numero do calçado onde seria considerado que todas as pessoas de uma determinada altura calçariam o mesmo numero de calçado.

 

 Geometria da Bike

O tamanho de quadros não são padronizados, com isso o fato de um quadro apresentar um seat tube de determinado comprimento não quer dizer que ele seja igual a outro quadro com mesmo comprimento de seat tube. Assim é muito comum uma pessoa possuir um quadro de uma determinada numeração e trocar por outro da mesma numeração e não se adaptar a nova aquisição. Inclusive o ajuste mais fácil de adequar é o seat tube, pois para ajustar essa medida, basta aumentar ou diminuir a altura do selim. Salvo algumas exceções, onde mesmo com o canote na posição mais baixa o ciclista não alcance o pedal ou então o inverso, onde mesmo com o canote na posição mais alta o ciclista ainda mantenha sua perna flexionado quando o pé estiver no ponto baixo da pedalada.

O mesmo se aplica para comprimento do top tube. Embora apresente um pouco mais de sentido na avaliação dessa medida ela ainda é pouco significativa na escolha do quadro ideal. Duas bicicletas podem apresentar mesmo comprimento de top tube e apresentar posicionamentos diferentes para um mesmo ciclista. Tudo vai depender da distribuição dessas medidas e seus respectivos ângulos dentro da geometria do quadro.

Baseado nisso, podemos achar dois quadros com diferentes medidas de seat tube e top tube e que apresentem o mesmo posicionamento ideal para um ciclista. Para entender melhor o que foi dito, dependendo da geometria do quadro é possível que um mesmo ciclista encontre seu posicionamento ideal em uma bike M de uma marca/modelo e em uma bike L de outra marca e modelo.

Por mais absurdo que pareça em um primeiro momento é exatamente isso que acontece. Basta observar as bikes aro 29. Uma bike 15 aro 26 e uma bike 15 aro 29 apresentam geometrias completamente diferentes, mesmo que os comprimentos de seat tube e top tube delas sejam semelhantes.

O que muda então de uma bike para outra? O que muda é a altura e alcance da caixa de direção. As bicicletas de uma maneira geral tendem a ser mais altas e mais curtas ou mais baixas e mais compridas, Mas isso não é uma regra, algumas bikes ainda apresentam geometrias de frentes altas e compridas ou baixas e curtas.

Condicionamento Físico.

Se o quadro ideal é aquele que permite que material biológico (corpo) e material mecânico (bike) funcionem em perfeita harmonia como uma peça única, é fundamental uma profunda avaliação da condição física do ciclista no momento do ajuste ou escolha do melhor quadro.

Assim como uma pessoa que emagrece precisa fazer pregas na cintura de sua calça e consequentemente uma pessoa que engorda precisa descosturar as pregas para continuar vestindo a calça, a medida que o ciclista aumenta ou diminui seu peso e medidas corporais, melhora ou piora sua flexibilidade, fortalece ou enfraquece sua musculatura, com certeza ele precisará refazer seus ajustes na bike. Assim no momento da compra da bike deve ser levado não somente o condicionamento físico do atleta, bem como onde ele objetiva chegar. Dessa maneira é possível optar por uma bike que o atenda no primeiro momento bem como permita ajustes assim que ele melhorar seu condicionamento físico (peso, flexibilidade e fortalecimento)

Hoje em dia já comum encontrarmos sites que oferecem um bike fit por meio de um tutorial onde o atleta vai medindo o comprimento das partes do seu corpo e jogando esses números em uma planilha onde ao final é fornecido uma serie de medidas para serem instaladas em sua bike. Alguns ciclistas denfendem o uso dessas planilhas ou softwares argumentando que mesmo não sendo funcional esses ajustes são melhor do nada. Pois afirmo que esses ajustes e nada são a mesma coisa. Primeiro porque para realizar essas medidas com precisão é necessário não só possuir equipamentos adequados e de alta precisão bem como relacioná-los com os diferentes graus de flexibilidade/extensão do ciclista.

A avaliação é tão importante que que metade das duas horas de uma sessão de bike fit são dedicadas a esse item e permitem que quando o ciclista subir na bike o fitter já uma boa noção do que pode ser feito para ajustá-lo na bike.

Relacionando Geometria e Avaliação Física

A verdade é que Bike Fit é coisa séria e Fitter é profissão. A escolha de um quadro ideal ou ajuste de posicionamento é o que vai definir se uma pessoa vai ter prazer ou não em utilizar uma bike. Uma bike que ofereça prazer ao ciclista permitirá que ele se torne ciclista, por outro lado o desconforto e sofrimento fazem com que a pessoa desista de pedalar.

Atualmente muitas pessoas se dizem Fitter e ajustam bicicletas sem nenhuma fundamentação. Trabalham no achismo, e comprometem a saúde física de várias pessoas. Portanto é bom entender que bike fit é cosia séria. É ciência e que para utiliza-la é preciso estudar e se formar em Bike Fit para saber utilizar esses conhecimentos.

por Carlos Menezes

Quadro ideal X Altura x Altura Entre Pernas

Bike Fit - Eu Mesmo Posso Fazer?

Desconhecido de alguns, prioridade para outros, o Bike Fit consiste no perfeito ajuste da bicicleta ao corpo do ciclista, onde o componente biológico (homem) e o componente mecânico (bicicleta) passam a atuar como uma peça única, funcionando em perfeita harmonia..

Mas o que a maioria das pessoas fazem é justamente o contrário: tentam ajustar o corpo à bicicleta. Para adquirir o equipamento, baseiam-se em critérios como cor, modelo, conjunto de componentes, marca e, principalmente, valor da bicicleta, e ignoram critérios científicos, como medidas antropométricas e ângulos de posicionamento estático e dinâmico.

Muitas vezes, um dos últimos critérios levados em consideração é o tamanho da bike. E mesmo sendo essa informação conhecida, geralmente o tamanho do quadro é escolhido de maneira subjetiva, onde se considera um valor médio. Mede-se o comprimento da altura do entre pernas (cavalo), a altura do ciclista, e multiplica-se por coeficientes padronizados. Essa técnica se torna tão subjetiva ao ponto de existirem dois ou três coeficientes diferentes circulando entre os ciclistas. O grande erro desses coeficientes e fórmulas é considerar que todas as pessoas que possuem, por exemplo, 1,75 metros de altura, apresentam o mesmo comprimento de braço, perna e tronco.

Cada pessoa deve ser tratada na sua individualidade físico-anatômica, ajustando a bike para que ofereça o máximo de conforto, buscando sempre o posicionamento correto, a fim de evitar lesões. Outro ponto importante no Bike Fit é encontrar o posicionamento do atleta onde o máximo possível da energia aplicada no pedal seja transformada em deslocamento: uma pessoa pode ser forte, mas não conseguir render tudo que poderia.

Assim, o Bike Fit não é apenas uma técnica, e sim uma profissão regulamentada pelos Conselhos Profissionais da área da saúde, onde o Fitter (profissional em Bike Fit), possui formação e conhecimento suficientes para cuidar da saúde do atleta, no que diz respeito ao seu posicionamento correto sobre a bike, e para isso precisa entender também de mecânica de bicicleta.

Acontece que dentro de uma política americana de “faça você mesmo”, somos invadidos por um pensamento de que: “porque devemos pagar por um serviço, se nós mesmos podemos fazer?” Basta vermos a quantidade de casas sem projetos e planejamento, com estruturas comprometidas e paredes tortas, quando caminhamos pelas ruas da cidade; ou então a grande quantidade de carros com pinturas queimadas porque seus donos, para economizar com o valor da mão-de-obra, optam em comprar a cera e a enceradeira, e fazer o polimento do próprio carro, lixando a pintura em excesso ao ponto de danificá-la.

Dentro desse pensamento, basta fazer uma rápida busca na internet para encontrar uma infinidade de opções de Bike Fit caseiro. São vários textos, fotos, vídeos explicando diferentes metodologias, passo a passo, para ajustar a bike ao corpo do ciclista. Dentro desse grande leque de opções, encontramos orientações mostrando que a distância do guidão ao selim é a mesma do tamanho do antebraço do atleta, ou que a altura do selim equivale ao tamanho completo do braço. O que precisa ficar entendido é que se houverem erros de, por exemplo, 1 mm, em cada um dos seguintes pontos: ajuste dos taquinhos, altura do selim, avanço do selim, distância do selim ao guidão, somados aos tamanhos errados de pedivela e avanço do guidão, a posição do ciclista estará inadequada.

Um fato comum no dia a dia de um Fitter é receber abordagens onde o atleta lhe passa a altura e comprimento do cavalo, e pergunta qual quadro e componentes deve adquirir. Ou então o ciclista mostra sua bicicleta e pergunta: “essa bicicleta é a que realmente devo usar ou está errada?” Para se ter uma ideia, uma sessão de Bike Fit dura cerca de duas horas e meia, onde cada detalhe é levado em consideração. Os ajustes são feitos de acordo com o objetivo de cada ciclista, e contam com auxílio de ferramentas desenvolvidas para esse fim, bem como análise do posicionamento por meio de filmagens e análise em software para chegar aos ângulos ideais de posicionamento.

Não faz sentido investir algumas centenas ou milhares de reais na compra de uma bike, e economizar algumas centenas de reais não realizando seu Bike Fit com um profissional especializado.

Recentemente recebi a ligação de um atleta que me informou sua altura, tamanho do cavalo, e queria saber se o quadro tamanho 56 ficaria bom pra ele, pois estava comprando uma bike nova e só encontrou esse tamanho de quadro no modelo desejado. Nesse momento expliquei a ele que o Bike Fit vai muito além de "chutar" o tamanho de um quadro levando em consideração sua altura e o entre pernas. Por meio de uma analogia, expliquei que seria o mesmo que ele me dizer sua altura e peso, e eu "advinhar" qual a numeração da calça e camisa dele, bem como o tamanho dos sapatos. Na sequência ele me disse: "mas atualmente uso uma tamanho 54, então o 56 dá para ajustar no selim e mesa?" Num golpe de reflexo respondi: "Mas quem disse que seu quadro 54 está certo para você?" Depois de alguns segundos de silêncio ele respondeu que iria comprar a bike 56 e em seguida agendar o FIT. Mais uma vez orientei a fazer o Bike Fit de sua bike atual, e descobrir se o quadro 54 está adequado e se o quadro 56 ficará ajustado ao seu corpo.

O primeiro passo é descobrir qual tamanho de quadro e componentes devem ser comprados, e em seguida fazer o Bike Fit do novo equipamento. A princípio pode parecer um gasto desnecessário, mas a simples troca de um avanço de guidão em tamanho errado já será mais oneroso que o Bike Fit.

Bicicletas e equipamentos de ciclismo de boa qualidade apresentam valores razoáveis no mercado, por isso não vale a pena contar com a sorte, e pelo falso pensamento de estar economizando, acabar gastando muito mais para reparar o erro de ter comprado uma bike inadequada a sua antropometria.

Talvez discorrer sobre esse ponto de vista equivale a “dar murro em ponta de faca”, já que no Brasil, as pessoas têm o hábito de recorrer diretamente às farmácias quando apresentam o menor problema relacionado à saúde, e até decidirem ir ao médico, já gastaram o valor de uma consulta em medicamentos que nada adiantaram. Com o advento da internet, jogam os sintomas em sites de busca e correm atrás do remédio lá indicado. Mesmo assim, precisamos cumprir nosso papel e explicar que não existe receita ou fórmula pronta para o ajuste de uma bike. Se fosse assim, as bicicletas já sairiam de fábrica com uma etiqueta pregada no quadro: “indicado para x de altura e y de entre pernas”.

Ao longo de sua vida, várias bicicletas passarão por você, mas o seu corpo é um só; portanto, cuide do que é permanente.

 

 Revista Bicicleta por Carlos Menezes - Biólogo-Fitter

Seat tube, head tube e top tube NÃO SÃO INDICATORES para a definição do tamanho de um quadro

Conforto é uma parte essencial para o ganho de velocidade, com isso seu ajuste numa bicicleta contribuir para o conforto e consequentemente para o ganho em desempenho. Quadros Cervélo tem uma geometria cuidadosamente planeado onde leva em consideração “fit-system neutral”. Baseando os seus quadros em Stack & Reach.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

Como ilustrado acima , Stack é o comprimento vertical do BB até o topo do headtube. Reach é o comprimento horizontal do BB para o centro do headtube. Mesmos dois pontos (bottom bracket and head tube), são apenas as distâncias vertical ou horizontal. 

Mas espere - como isso é melhor do que as formas tradicionais que temos para geometria de bicicletas por todos esses anos ? 


 

Como isso é utilizado para definir o tamanho do quadro?

Ainda é verdade que a posição do seu selim e guiador em relação ao BB é que vai  definir a sua posição. Nós não estamos sugerindo um ajuste diferente , estamos sugerindo uma maneira diferente de olhar para o tamanho do quadro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Seat Tube

Era utilizado o comprimento do seat tube para definir o "frame size".

Seat Tube não define o ajuste. Os quadros de cinza e preto acima têm a mesma forma, mas diferentes comprimentos de Seat Tube . Por outras palavras , "B" pode ser mais curto do que o "A" e você só precisa elevar para alcançar a mesma posição. Ou melhor dizendo se B= a um quadro 52 e A=quadro 54, com um simples ajuste de selim você estará na mesma posição mesmo utilizando dois quadros de tamanhos diferentes.

Head Tube

Também dê uma olhada no comprimento Head Tube. Na altura temos uma janela menor de ajuste quando comparado a janela de ajuste da altura do selim. Assim, alguns recomendam comparar os comprimentos do Head Tube. Mas bem como você pode ver (quadro cinza) , o garfo pode ser projetado maior (ou menor), então, para a mesma posição, o head tube fica mais alto (ou mais baixo). O mais interessante é que o comprimento da espiga do garfo, o BB drop e até mesmo o formato dos rolamentos internos/externos afetam o comprimento do Head Tube. Em outras palavras , "C" pode ser menor do que "D" e a sua posição ser a mesma , desde que o garfo, rolamentos internos externos, etc seja correspondentemente mais longo, ou até mesmo o BB drop.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comprimentos de seat tube, head tube e top tube NÃO SÃO INDICATORES para a definição do tamanho de um quadro. Eles são indicaradores INCERTOS, INSEGUROS, DUVIDOSOS, IMPRECISOS para um ajuste do ciclista na bike.  É por isso que a geometria dos quados passou a ser desenvolvido a partir dos medidas do Stack & Reach. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui está o que parece quando aumentamos o zoom na área perto do Head Tube:

 

Mapeando o Stack & Reach de diversas marcas é possível observar, a grande gama de possibilidades que o ciclista tem a disposição. Assim observamos que em algumas marcas quanto maior o quadro mais alta a caixa de direção e em outras isso não acontece. Dessa forma embora exista uma tendência de quadros serem geralmente longos e altos e curtos e baixos ainda assim é possivel encontrarmos marcas/modelos que trazem quadros curtos e altos, curtos e baixos, longos e baixos, longos e curtos. lembrando que quanto mais alto o quadro mais o Head Tube se move para perto do piloto. 
Com isso praticamente desaparece do mercado a figura do Frame Biulder, uma vez que com a diversidade de geometrias existente hoje no mercado é possivel que o Fitter (profissional em Bike Fit) lhe ajude a escolher qual a melhor geometria para o sua constiruição antropometrica, capacidade motora e grau de flexibilidade.

Por que alguns quadros não csão adequados para alguns ciclistas..

Com o mapeamento do stack e Reach é possivel explicar por que as vezes duas pessoas com a mesma altura e cavalo (comprimento do entre pernas) pode ficar pequena para um e inadequada para outra ou mesmo ficar adequada para um e grande para outro. A faixa de tamanho típico abaixo mostra que os três tamanhos menores , não traz o Head Tube mais perto do piloto. Apenas o tubo do assento é mais íngreme (daí o fabricante pode publicar um comprimento do Top Tube mais curto), se essas medidas tivessem seguido uma proporcionalidade, o problema seria resolvido com a adição de espaçadores e aumento do grau de inclinação do avanço. Por isso as vezes vemos ciclistas com uma grande quantidade de espaçadores abaixo do avanço e com  graus positivos.

Então, como você sabe se um modelo realmente fica pequeno, grande ou adequado pra você?
 
Não existe outra maneira a não ser por meio de uma consulta a um Fitter (profissional em Bike Fit), pois quanto menor o Reach maior o angulo do tronco ao solo e menor o angulo de abertura do braço em relação ao tronco, mas isso só é possivel quando mantemos a mesma medida do Stack. Como essas duas medidas sempre mudam juntas as correlações são infintas. Por exemplo se diminuirmos o Reach e diminuirmos o Stack, o angulo de abertura do braço em relação ao tronco continuará diminuindo mas o grau de inclinação do tronco em relação ao solo diminuirá ao invés de aumentar, e vice-versa. 

Quando avaliamos os quadros da Cervélo abaixo - observamos que o headtube se aproxima do piloto a medida que diminuimos o tamanho do quadro na mesma proporção.



 

por Carlos Menezes Biocicleta

Como comprar a Bike correta

Como comprar a Bike correta

por Carlos Menezes

No artigo: "Quadro ideal X Altura x Comprimento do Cavalo (entre pernas)" publicado na Edição de Julho de 2013 da Revista Bicicleta, foi possível explicar que não existe correlação entre a altura do ciclista e o comprimento do cavalo (entre pernas) na escolha do quadro ideal.

Sempre que esse assunto é abordado, muita polêmica é gerada. Afinal foram anos e anos adotando essa técnica para dizer qual o melhor tamanho de quadro. De repente aparece alguém dizendo que altura, cavalo (entre pernas), top tube, seat tube são informações secundárias na escolha do quadro. Como então não errar na compra?

A geometria, tecnologia e ciência empregados na construção de uma bicicleta evoluíram exponencialmente nos últimos anos, portanto não faz sentido continuar utilizando de meios empíricos e subjetivos para a compra da Bike. Atualmente a grande diversidade de geometrias de quadros tanto de MTB, All Mountain, Road, Time Trial e Triathlon exige uma análise mais profunda da antropometria do atleta, bem como uma análise da sua flexibilidade e capacidade motora. Além disso, é necessário uma ampla conversa com o ciclista a fim de entender qual a sua necessidade em termos de equipamento e uso, caso contrário teremos ciclistas recreativos sofrendo em geometrias "agressivas" de bikes destinadas a alta performance e ciclistas de competição utilizando bikes recreativas.

 

 Recomendamos uma sequencia de passos a serem seguidos para ajudar no perfeito encaixe do ciclista na Bike.

 

  1. Engravide da Ideia

  2. Defina seu perfil

  3. Estudo Prévio

  4. Investimento

  5. Pesquisa de Mercado

  6. Bike Fit Discover

  7. Bike Fit Dinâmico

  8. SEJA FELIZ

 

ENGRAVIDE DA IDEIA

 

A ansiedade é um dos maiores aliados da compra errada.

Muitas vezes o ciclista se vê diante de uma oportunidade de compra e com medo de não efetuar a compra e vir a se arrepender futuramente, acaba se precipitando e fazendo a compra errada. Portanto é necessário "gestar um pensamento". Avaliar com calma as possibilidades para tomar a melhor decisão.

Nesse momento a pesquisa, a leitura, o bate-papo, a troca de informações é muito importante. Mas ao mesmo tempo, um cuidado especial deve ser tomado em avaliar as fontes as quais essas informações são buscadas. Avaliar, ponderar e neutralizar os interesses de quem fornece as informações é essencial no momento da decisão. Consulte fontes variadas e veja o que faz sentido, sem cair no senso comum.

 

DEFINA SEU PERFIL

 

Muitas pessoas procuram ajuda para comprar uma bike, mas não possuem a mínima noção do uso que farão dessa bike.

Assim defina qual o seu perfil.

 

  • Qual uso você fará da bike?

  • Pretende pedalar terra, asfalto ou cidade?

  • Pretende fazer trilhas longas?

  • Pretende fazer trilhas curtas?

  • Pretende pedalar em rodovias?

  • Pretende pedalar somente dentro da cidade?

  • Quantos Km por semana pretende pedalar?

  • Quantas vezes por semana pretende pedalar?

  • Depois de quanto tempo pretende trocar de Bike?

  • Pretende competir em alta performance?

  • Pretende competir em provas amadoras?

 

ESTUDO PRÉVIO*

 

Faça um estudo prévio sobre as variáveis que envolvem uma bicicleta.

 

  • Materiais envolvidos na construção dos quadros de bicicletas: aço, cromolibidenio, alumínio, carbono, titanium ou até mesmo bambú e plástico (garrafas pet)

  • Quadros: hard tail ou full suspension, para aros nos tamanhos 26 - 27,5 – 29.

  • Grupos da relação de marchas, que envolve: trocadores de marcha, corrente, pedevela, cassete, câmbios dianteiro e traseiro, freios e em alguns casos cubos de roda

  • Trocadores: rapid fire, sti, grip shift, trigger, etc

  • Relações de marchas: numero de marchas (10, 11, 18, 20, 24, 27 ou 30); numero de coroas (1, 2 ou 3); numero de cassetes (5, 6, 7, 8, 9, 10 ou 11); mecânico (cabo), eletrônico ou hidráulico

  • Pedevela: comprimento da pedevala (160, 165, 170, 175, 180 mm); Alumínio ou Carbono

  • Freios: cantlever, disco mecânico, disco hidráulico, v-brake; tamanho dos rotores (140, 160, 180 ou 203mm)

  • Suspensão: elastômero, óleo, ar, óleo; com ou sem trava, com ou sem plataforma e ajustes do amortecimento; tamanho da suspensão ((60, 80, 90, 100, 120, 140, 160, 180 ou 200mm), tamanhos das hastes da suspensão (28, 30, 32, 36 ou 40mm), tamanhos das espigas (normal 1-1/8 ou tapered 1-1/8 + 1.5)

  • Rodas: perfil alto, médio ou baixo; clincher ou tubular; aço, alumínio ou carbono

  • Pneus: borracha ou kevlar, com ou sem arame, com ou sem câmara, com ou sem selante

  • CockPit: tamanho, grau de inclinação e material da mesa; formato (High riser, low riser ou flat) do guidão, espessura, material, com ou sem seat back do canote, material, largura, desenho e formato do selim

 

Além disso, descubram quais são as principais marcas e quais são os diferenciais de cada uma delas e quais atendem a sua real necessidade.

 

INVESTIMENTO

 

Defina quanto está disposto a investir na compra da bicicleta.

Dentro do valor estabelecido encaixe o maior numero de opções de componentes de acordo com sua necessidade ou desejo.

Esse ponto é fundamental para refinar o leque de opções. Além disso, você deve saber que ao definir quanto está disposto a investir e quais são os componentes que você mais deseja, os vendedores vão te oferecer bicicletas nas mais diversas configurações e o custo/uso/beneficio será critério fundamental na escolha. 

 

PESQUISA DE MERCADO

 

Depois de definido os pontos anteriores, chegou a hora de sair as compras.

Faça uma pesquisa de mercado pela internet e em lojas físicas.

Dentro dessa pesquisa escolha quais são os modelos que se encaixam dentro dos critérios citados anteriormente, por enquanto sem se preocupar com o tamanho do quadro.

Selecione quantas marcas e modelos achar interessante, mas o ideal é que tenha pelo menos 4 opções.

 Podemos dizer que essa primeira parte é a mais demorada e deve ser feita com muita cautela. Chegou então a hora de avaliar as geometrias das bikes que você selecionou.

Os melhores Estúdios Bike Fit do pais possuem simuladores de posicionamento que permitem ao ciclista pedalar a bike antes da compra. Nesse simulador o Fitter montará os diversos modelos, com as variedades de mesas, selim, guidão, pedevela, dentro das marcas e modelos escolhidos por você. Com esses dados nas mãos é possível pedalar as bikes de interesse antes da compra. Assim o Fitter indicará quais as marcas/modelos e em qual tamanho de quadro e seus respectivos componentes vai melhor lhe atender. E caso ainda exista alguma opção melhor do que as apresentadas por você, o Fitter ainda irá lhe sugerir outras opções que melhor lhe atende. Agora basta comprar sua bike.


É preciso deixar claro que depois de comprar a bike é necessário retornar ao Estúdio Bike Fit para ajustar a bike recém-adquirida. Nessa sessão o posicionamento definitivo do atleta será formatado.

Na escolha do Estúdio Bike Fit, opte por profissionais que trabalhem com métodos dinâmicos, uma vez que o posicionamento estático é completamente diferente do posicionamento dinâmico. Consulte onde o Fitter se formou em Bike Fit e qual metodologia ele utiliza. Conheça a estrutura, os equipamentos, as ferramentas do estúdio e o conhecimento do profissional. Lembre-se que assim como sofrer um enfarto do miocárdio, não é pré-requisito para ser um excelente cirurgião cardíaco, os melhores Fitters não são definidos pelo número de títulos em competições e sim pelo estudo e envolvimento com o Bike Fit, somente depois disso a experiência como piloto de Bike é importante.

Isso tudo pode parecer desnecessário e até ser tratado com desdém por alguns, mas as bikes atuais apresentam muita tecnologia e ciência incorporadas aos seus projetos e isso tudo tem custo, que muitas vezes não é barato. Portanto é necessária certa precaução na compra da bicicleta ideal.

Melhor seguir o passo a passo que fazer um investimento alto ou moderado em um equipamento que não atende as suas necessidades. Isso frustra e desiludi, podendo matar a vontade de pedalar de um ciclista.

Recentemente ouvi de um ciclista a seguinte frase: “Nunca imaginei que coubesse tanta informação ente duas rodas” e isso resume a ciência e tecnologia empregada nesse objeto encantador que é a Bicicleta.

 

* colaboração Gabriel Maia em Estudo Prévio

por Carlos Menezes

 

QUEM PRECISA DE UM BIKE FIT?

 



Um mercado com ritmo alucinante, novos produtos, novas tendências e uma imensidão em variedade. Em rodas de conversa, revistas especializadas, fóruns de discussão, muito se houve a respeito de dicas e fórmulas mirabolantes (a maior parte sem dono) para o “perfeito” ajuste de sua bike; ou em raros casos ouvimos algo que realmente podemos e conseguimos aproveitar. Pois bem, mais quem realmente precisa de um bike fit e até que ponto isso pode ser feito sozinho ou com um profissional habilitado? E o que é o famoso bike fit? Nada mais é do que o ajuste e/ou adequação da bicicleta para o ciclista; em qualquer nível, modalidade e tipo de bicicleta. Mais e qual é a necessidade disto? Imagine um ciclista que pedala três vezes por semana em uma bike urbana por 30 minutos. Vamos admitir que ele pedale 60 vezes por minuto (cadência). Em uma hora seriam 3600 pedaladas e em meia hora 1800. Multiplicando por três são 5400 pedaladas por semana. Agora imagine que o selim dele está um centímetro abaixo do ideal levando o joelho dele a ser flexionado mais ou menos 3-5 graus além do sugerido pela literatura. O potencial que ele tem de se lesionar em uma semana é altíssimo! Isso é só um pequeno exemplo. Se você procurar no Google como ajustar a bicicleta, bike fit, bikefitting etc, etc; você irá encontrar resultados, formúlas, sugestões, regras e isso e aquilo. Assim como se você estiver com sinusite e fizer a procura você encontrará os remédios necessários para a sinusite, dosagem e milhares de outras coisas (e isso serve para tudo não é?!). Mas quando você adoece você vai ao Google ou ao médico? Quem é o especialista? Os nick names dos fóruns? O senso comum? Acho que ninguém coloca sua saúde na mão de um desconhecido, pseudo especialista ou mesmo de uma regra criada pela necessidade se estabelecer um padrão. A diferença entre ter a resposta e raciocinar em cima dela, criando hipóteses, prós e contras, discutindo critérios, filtrando as informações, individualizando os resultados e levando em consideração o tipo físico, cotidiano, objetivo, restrições e histórico de saúde, é a diferença entre a procura de um simples resultado e a procura por um profissional capacitado para o ajuste de seu posicionamento na bicicleta. Para tudo na vida existe um por quê e alguém que possa te orientar na busca das soluções e repostas. E na bicicleta não é diferente; andar de bicicleta é coisa séria e exige cautela e cuidado na escolha e ajuste do equipamento. O bike fit com um profissional capacitado é imprescindível para o confortável, eficiente e seguro uso de sua bicicleta. Ele poderá solucionar problemas e elucidar dúvidas muito comuns, como por exemplo: 

- Qual o quadro ideal para mim? 

- Vou pedalar na cidade; qual o tipo de bicicleta que devo adquirir? 

- Qual a diferença de um quadro feminino para os quadros de série? 

- Por que existem faixas de largura de selim? 

- Por que na speed o tronco é baixo e na mountain bike é mais alto em relação ao solo? É questão de aerodinâmica? Ou distribuição de peso e dirigibilidade? 

- Existe uma bicicleta específica para utilizarmos como meio de transporte? 

- O que define a altura do meu guidão? 

- Qual a altura ideal de selim? Isso muda com o tempo? Para todas as bicicletas é igual? 

- Que tipo de taquinho devo utilizar em minhas sapatilhas? 

- Existem guidãos mais largos?! Ou mais estreitos?! 

- Por que meus pés e mãos ficam dormentes? 

- Por que tenho dores lombares? 

- Etc, etc...

Parece bobagem, mas se eu continuar escrevendo teremos dúvidas para meia hora de leitura; eu garanto que se você já anda ou pretende andar de bicicleta, alguma dessas dúvidas e/ou problemas já estão impregnados em sua cabeça. Isso é só uma pequena amostra de um universo que não pára de crescer em todos os setores e nichos, tornando-se cada vez mais especializado e profissional, fechando as portas para aqueles que querem permanecer no amadorismo e no “eu acho”........ Até a próxima!

 

Marcelo Rocha

 

 

Para pedalar é necessário segura o guiador?

Muito importante ler este artigo

 

Se existe um assunto que não se esgota é sobre fórmulas e truques para fazer seu próprio Bike Fit. Entre os ciclistas, cada um tem uma dica. Durante anos técnicas mirabolantes, algumas com fundamento, mas ineficientes, e outras sem fundamento algum, foram criadas e divulgadas. Com o advento da internet, essas “receitas” foram espalhadas entre sites, blogs, revistas e fóruns. E de tanto serem repetidas fizeram valer a frase: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade", de Joseph Goebbels (ministro da propaganda de Hitler).

A mais comum delas é medir a altura do ciclista e dizer: “Seu quadro é tamanho ‘Z’." Mas como isso pode ser definido se quando comparamos duas bikes de marcas diferentes, ou duas bikes de modelos diferentes, ou até mesmo duas bikes da mesma marca e modelo, mas de anos diferentes, elas apresentam variações nas geometrias?

Dizer que um quadro é do tamanho ‘Z’ na maioria das vezes quer dizer que seu seat tube apresenta esse comprimento ‘Z’. Junto com esse método geralmente é feito a medida do cavalo (entre pernas) e multiplica-se por determinado coeficiente, diga-se de passagem, que cada pessoa adota um coeficiente diferente, para achar a altura do selim.

Escolher a bike dessa maneira é o mesmo que jogar uma moeda para o alto e se der cara seu tamanho é o ‘X’ e se der coroa sua bike é a ‘Z’. Isso porque, mesmo se considerarmos que essas técnicas citadas acima funcionam (o que não é verdade), o ciclista está esquecendo-se do fato que: “Para Pedalar é Necessário Segurar o Guidão”. E para isso os fitters (profissionais que trabalham com bike) levam em consideração medidas conhecidas como Stack & Reach. Ou seja, comprimento do seat tube, tob tube, caixa de direção etc., são informações secundárias na escolha de uma bike adequada. Se você está consultando um profissional para comprar sua bike e ele não sabe o que é Stack & Reach, com certeza ele não tem a menor noção do que é Bike Fit.

Apenas para sintonizar os leitores, de uma maneira simples, essas medidas se referem à Altura e Alcance da caixa de direção. 

Vamos tomar como exemplo duas bikes da mesma marca, mesmo ano, mas modelos diferentes. Nessa ilustração optamos por bikes Speed da marca BMC. Mas lembramos de que isso vale para qualquer marca ou modalidade de bicicleta, seja ela Speed, MTB, Triatlo, Contrarrelógio, Cicloturismo etc.

Tomemos como exemplo um ciclista que fez um Bike Fit Discover (serviço que consiste na avaliação do ciclista antes da compra da bike para indicação do melhor quadro para seu biótipo) e foi indicado uma BMC Granfondo tamanho 51, com uma mesa de 90 mm. Passado alguns anos esse ciclista resolve trocar de bike e levando em consideração que em seu primeiro Bike Fit foi indicado um quadro tamanho 51, ele vai até a loja e opta por uma BMC SLR 01 também no tamanho 51 e transfere as medidas da altura do selim, recuo do selim e todas as demais medidas baseado na bike anterior.

Já na primeira pedalada ele começa a sentir uma pressão muito forte na porção anterior do selim, com possível parestesia peniana, dores lombares e cervicais, dormência nas mãos e dor na articulação do quadril. Em um primeiro momento é comum o ciclista dizer: “A BMC SL01 não presta. Eu pedalava uma Granfondo e não sentia nada”. Mas se ele procurar por um fitter, que com seu conhecimento específico e equipamentos adequados, descobrirá que a SLR01 tem uma geometria com 3,1 cm mais baixa e 1,7 cm mais longa que a Granfondo, assim adicionando três espaçadores de 1 cm, totalizando 3 cm entre a mesa e o guidão, e trocando uma mesa de 90 mm por uma de 70 mm, o problema estaria resolvido. Embora pareça simples esse raciocínio, muitos acreditam que para isso basta olhar aquelas tabelas dos fabricantes cheias de números e medidas, mas um Bike Fit perfeito só é possível graças ao conhecimento apurado em geometrias de bicicletas e equipamentos específicos para que um trabalho confiável seja realizado.

 

Agora que isso foi explicado, podemos entender porque às vezes uma pessoa procura por um serviço de Bike Fit e volta com a bike parecendo uma girafa, com a espiga do garfo cheia de espaçadores e com uma mesa curtinha, o que torna a bike visualmente desagradável. Mas, diga-se de passagem, Bike Fit não é para deixar a bike bonita e sim para ajustá-la ao corpo do atleta de modo a lhe proporcionar conforto, maior rendimento com maior aproveitamento da energia produzida para deslocamento da bicicleta e evitar lesões. Para ter uma bike que te ofereça isso tudo e ainda seja visualmente harmônica e agradável, é necessário que realize um Bike Fit Discover antes da compra da bike, para descobrir qual a sua melhor opção, e depois de comprá-la voltar ao estúdio para ajustá-la ao seu corpo.

 

Para finalizar o assunto, espero que tenha ficado claro o quanto é importante escolher uma bike pela altura e alcance da bicicleta e não pela altura do seat tube. Durante anos a informação vem sendo propagada, mas nem por isso você deve continuar fazendo errado. O assunto é muito amplo e quem quiser saber mais a respeito acesse carlosmenezes.com.br.

E se você quer saber qual é o tamanho ideal da sua bike eu te respondo com toda a segurança: o seu tamanho ideal é o tamanho correto para você. E essa informação somente um fitter com formação adequada poderá lhe fornecer.

Revista Bicicleta por Carlos Menezes

Bike Fit - MITOS

1. Existe uma posição perfeita na bicicleta?

Sim. Todos os atletas podem atingir a posição ideal na bicicleta.

A verdade é que cada atleta é diferente. Todos têm corpos diferentes, com proporções diferentes, níveis de flexibilidade e potência diferentes. Já para não falar que todos têm objetivos diferentes. 

Um “Fitter” profissional levará tudo isso em consideração e encontrará a melhor combinação de conforto, eficiência e desempenho. 

2. Os ajustes da bike são apenas para atletas de elite?

Não. O Bike Fit deve ser realizado desde o simples utilizador de fim de semana ao atleta de elite. Independentemente da vertente ou tempo de utilização da bicicleta.

O Bike Fit é altamente recomendados para todas as pessoas que se sentam numa bike. É um movimento cíclico e numa hora de pedalada, caso algo não esteja correto, estamos a potencia centenas de vezes uma lesão ou desconforto.

Por outro lado, um bom ajuste da bike ou a escolha do quadro correto é uma forma séria de poupar dinheiro.

 

3. Eu ainda não tenho bicicleta. Faço o Bike Fit só depois?

Não. Antes de comprar bicicleta o ideal é fazer o Pré-Bike Fit. Este processo vai ajudar na escolha e compra da bike correta.

Tamanho e geometria do quadro, comprimento do pedaleiro, largura do guiador, modelo de selim, tamanho do avanço.

Muitas pessoas compram bicicleta sem saber se é o seu tamanho ideal e tal como um par de calças ou uns sapatos têm tamanhos, as bicicletas também.  O resultado passa por gastar dinheiro e não comprar o que realmente é o ideal.

Estatura e altura entre pernas não nos dão qualquer tipo de garantia nem certeza para determinar o tamanho de um quadro.

Dessa forma, poderíamos assumir que todas as pessoas com 1,80 calcariam o tamanho 44.

Medidas antropométricas, composição corporal e flexibilidade são fatores de extrema importância para o processo.

4. Posso usar as medidas de uma bicicleta após o Bike Fit noutra bike?

Não. Isso apenas se aplica se as duas bikes forem rigorosamente iguais.

Cada marca desenvolve as suas próprias geometrias, logo o resultado de um Bike Fit não se aplica a outra bicicleta. 

5. Um ajuste da bicicleta pode fazer com que o quadro de tamanho grande fique “bom” para mim?

Sim e Não! Os ajustes na bicicleta vão garantir que se obtenha a posição mais confortável e eficiente para o tipo de utilização que se faz. Contudo, um quadro grande pode comprometer, não só esse conforto, como o manuseamento da bike e a sua própria segurança/estabilidade.

Um quadro grande terá que lavar um avanço mais pequeno e quanto menor essa alavanca (avanço), maior a instabilidade na frente da bike. Ou seja, a frente da bike fica muito mais reativa.

A verdade é que, antes da compra, é necessário ter certeza que o quadro tem o tamanho certo. 

As bicicletas são projetadas para permitir um certo grau de flexibilidade no ajuste em torno de cada tamanho e há uma janela de adaptação por parte do ciclista, mas essa adaptação é limitada...

6. O desconforto na bike faz parte do ciclismo?

Não. Se está com dor ou desconfortável ao andar de bicicleta, algo provavelmente não está correto. Se isso acontece, é algo que um profissional em Bike Fit pode determinar.

Uma parte fundamental de muitos procedimentos de Bike Fit é o método de ciclismo especializado. Uma avaliação pré-adequada que analisa coisas como flexibilidade. Uma conversa com o atleta também é importante para descobrir quaisquer problemas médicos conhecidos, desconforto ou dor que eles tenham durante a condução e o que pretendem para conseguir do ajuste perfeito.

7. Mudar de selim afeta o meu ajuste na bike?

Sim. A diferença entre modelos ou marcas pode resultar numa mudança de alguns centímetros - mais do que suficiente para ter um efeito fatal na sensação de pedalada. Tal como, alterar algo como o guiador ou mesmo pedais, e a sensação pode ser semelhante.

8. O ajuste da bike acaba quando eu saio pela porta (bike fit)?

Não. Devemos pensar no Bike Fit mais como um processo contínuo e o “Fitter” como guia.  O Bike Fit é um processo que deverá ser reavaliado, no máximo a cada 3 meses.

O nosso corpo sofre alterações constantes. Peso, flexibilidade, condição física, duração do treino, volume de treino, época, entre outros.

Significa que, para cada momento, o nosso corpo sofre alterações e não está “disponível” sempre da mesma forma ao longo do ano. Terá que ser a bike a ser adaptada e não o atleta a adaptar-se.

9. O ajuste de bicicleta vai me levar um dia inteiro?

Não. Depende muito da formação, experiencia e ferramentas de trabalho do “Fitter”.

Um “Fitter” experiente pode fazer uma avaliação, pré-ajuste, ajuste final em pouco mais de uma hora. Há, obviamente, coisas que podem necessitar mais tempo, mas em circunstâncias normais, no limite duas horas para bikes de triatlo.

 

Professor Pedro Tomás

Criador e responsável pelo CAFPT